Relações sociais e violência nas escolas
A sociedade brasileira, bem como grande parte das sociedades globalizadas, está estruturada em um molde classista e segregatório. Essa educação opressora perpetra-se na escola por meio de professores, diretores e alunos que são resultado dessa sociedade que marginaliza grupos sociais. Destarte, a escola é um reflexo e uma criadora dessa situação, uma vez que cabe a ela o papel de reproduzir a exclusão, perpetuando-a. Além disso, a violência é manifestada, de forma complementar, tanto em escolas públicas como em particulares; conjugando e reiterando o sistema de exclusão e segregação social.
Observa-se, nas escolas privadas de elite brasileira, uma homogeneização cultural, social e econômica. Essa uniformidade faz com que o ambiente escolar torne-se classista, opressor e elitista, um ambiente que não respeita as diferenças, sejam elas de cunho socioeconomico, secual, étnico, de identidade de gênero e/ou orientação sexual. Esta falta de diversidade prejudica radicalmente o processo educativo, já que é a vivência com a diversidade que gera a tolerância com o diferente, a cultura do respeito ao outro. Os jovens educados nesse sistema são os mesmo que dão pedradas numa aluna que está usando minissaia na faculdade, que batem em gays na região da Paulista e que ateiam fogo em mendigos, por uma intolerância típica da elite, fruto da não convivência com o diferente.
Apesar de mais diversa e plural, a conjuntura educacional das escolas estaduais e municipais é resultado de vários fatores. Há um alto índice de violência - presente em 62% das escolas, segundo o Saresp - nessas escolas, seja entre alunos, professores e alunos ou entre pais e mestres. Essa situação também é um refleco de uma sociedade excludente, que segrega os diferentes grupos em guetos, gerando uma grave situação de vulnerabilidade social. No entanto, e não só, neste ambiente, a violência é armada e mais explícita, culminando em mortes que chocam a opinião pública, como é o caso das vítimas de Realengo, no Rio de Janweiro, e da escola Alcina Dantas Feijão, em São Caetano.
Somente com a interrelação dos mais diversos grupos sociais, nos corredores e bancos das escolas, é que o problema do preconceito e a consequente violência vão ser resolvidos. Enquanto houver um modelo educacional que contribui para a divisão e a separação desses grupos, forçando-os a viverem isolados um do outro por muros e grades, a violência dentro, e fora, das escolas vai continuar. Enquanto diretores e professores forem condizentes e omissos, se não causadores, frente a problemas de exclusão e "bullying", a agressividade infantil e juvenil não cessará.
Matheus Ribas